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Sábado, 5 de Dezembro de 2009
Que opções tem o homem na vida? Um caminho até uma Nova Liberdade!

Saudações!

 

Depois de um espaço de tempo tão longo sem saber o que partilhar convosco, finalmente senti a necessidade de o fazer.

É extremamente complicado escrever quando o nosso ser se encontra soterrado nas tarefas do dia a dia, nas preocupações da vida, o processo de libertação não é tão rápido como eu gostaria, mas finalmente, a minha alma sentiu a necessidade de se expressar.

Como sabem eu faço parte da Nova Acrópole há já algum tempo, e no passado mês tive o privilégio de poder expressar a minha alma através de uma conferência/tertúlia em comemoração do Dia Mundial da Filosofia, na Sede da Nova Acrópole em Aveiro.

Gostaria de partilhar convosco as reflexões que fiz sobre o tema. O artigo é um pouco extenso, mas creio ser muito útil.

Que opções tem o homem na vida? Um caminho até uma Nova Liberdade!


Neste dia dedicado à filosofia e por consequência a todos nós, como pequenos filósofos que somos, pensei debatermos este tema: Que opções tem o homem na vida? Um caminho para uma nova liberdade!
Na Nova Acrópole acreditamos que todo o homem carrega dentro de si um filósofo, mesmo que as adversidades da vida não lhe tenham permitido doutorar-se em filosofia, mesmo sem doutoramento ele é filósofo, é-o porque ama a verdade, é-o porque ama a realidade seja ela qual for. Eu acredito que todos nós carregamos dentro de nós o potencial para buscar essa verdade, só o desconhecemos. O que necessitamos é que de quando em vez, alguém com mais experiência e conhecimento de causa, ou seja, alguém que já encontrou em si, esse potencial, nos lembre que ele está em cada um de nós, só temos que o deixar aflorar.
Pois bem, que opções tem o homem na vida é um tema muito antigo, uma vez que desde que o homem é homem se tem perguntado sobre isto.
Questionarmo-nos o porquê das coisas é próprio do ser humano, é próprio de um filósofo, é uma voz que vem de dentro, é uma inquietude filosófica, por isso é natural que nos perguntemos quem somos, que fazemos aqui, que opções temos, porque nascem uns ricos e outros pobres, porque morrem os bons e ficam os maus?
Estas são perguntas para as quais encontrar respostas é fundamental, e para isso, temos que buscá-las dentro de cada um de nós, mas buscá-las verdadeiramente. Pois o que fazemos muitas vezes é agarrar-nos demasiado às questões ao invés de buscar soluções e então, fazemos com que estas se tornem ciclos viciosos na nossa mente.
Para encontrar respostas há que primeiro superar a pergunta, há que perceber e dar-lhe o seu verdadeiro valor, há que reconhecer que a pergunta em si é um motivo, é um meio para atingir um fim, mas não é o fim. Buscar soluções é próprio de um homem livre, é próprio do filósofo, é próprio daquele que constrói o seu caminho, é certo que muitas vezes não sabemos que direcção tomar, não sabemos o mais correcto a fazer, mas aí, devemos pensar que no mínimo temos duas opções na vida: uma é deixarmo-nos robotizar, é tornarmo-nos um ser meramente físico, é deixarmo-nos levar pela corrente, é deixarmo-nos dominar pelo vento, e a outra, é tornar-nos um ser pensante, é dominar o vento e vencer a corrente.
Reflictamos:
Se colocarmos um tronco de madeira e um barco na água, ambos flutuam e ambos podem levar pessoas em cima, no entanto, o tronco de madeira deixar-se-á arrastar pela corrente e dominar pelo vento e embaterá nas rochas e nas margens do rio, enquanto o barco navegará mais além da corrente, vencerá o vento e desviar-se-á das rochas que lhe surgem no caminho, e porquê? Porque tem um timoneiro, porque tem um ser pensante que o dirige, porque tem um ser espiritual, um ser superior, porque tem uma alma que o leva em frente.
Temos então que ser o timoneiro da nossa própria barca e avançar apesar das tormentas. Um dos piores problemas que temos de enfrentar nos dias de hoje é o medo a ser timoneiro.
O medo é um estado psicológico da alma, é um mecanismo instintivo que naturalmente nos faz colocar à defesa, no fundo é um instinto de sobrevivência. Então por medo ao desconhecido muitas vezes o homem opta ser dirigido ao invés de aprender a dirigir. Não podemos esquecer-nos nunca: O medo escraviza o homem, temos de aprender a arte de vencer o medo, temos de nos tornar valentes, dignos e puros. Assim, superando o medo vamos ser capazes de controlar-nos a nós mesmos e construir o nosso próprio caminho apesar das adversidades da nossa própria vida e do mundo circundante. Superando o medo podemos finalmente tomar as rédeas do nosso próprio destino, tornarmo-nos mentores da nossa própria vida, podemos enriquecer, quando falo em enriquecer não quero como é óbvio abordar o campo económico, pois não é de todo o mais importante, falo de enriquecer espiritualmente, ou seja, de crescer interiormente, pois é nessa força interior que devemos ir buscar as soluções para as questões que nos atormentam, não devemos buscar soluções nos outros, encontrando as nossas próprias soluções vamos deixar de nos curvar perante os falsos amos das nossas vidas, vamos despertar para o verdadeiro sentido da vida, vamos despertar em cada um o Homem Interior, aquele que jamais se curva perante os falsos amos, perante as adversidades, aquele que opta por erguer a sua espada e lutar em prol da Grande Cruzada Espiritual que é Conhecer-se a si mesmo;
Na Nova Acrópole acreditamos que a Liberdade existe, acreditamos que esta não é mais um conceito inventado pelo homem, ou seja, a ideia da liberdade tem acompanhado o homem através dos séculos, assim como o conceito do fogo, da água, do ar, do sol, estes conceitos não foram inventos do homem, simplesmente fazem parte da Natureza, assim aconteceu com a liberdade.
Como aprendiz de filósofo creio que esta liberdade existe, caso contrário não existiria o livre arbítrio, nem a oportunidade de acertarmos ou de nos equivocarmos. A partir do momento em que nós, como homens, temos o direito de acertar ou errar, temos a liberdade de actuar ou não. O maior problema é que sempre ficamos à espera que a liberdade venha do exterior, ou seja, de algo que não dependa de nós, quando pelo contrário deveríamos concluir que a liberdade deveria ser um acto interior, algo que partisse de cada um de nós.
Quando falamos de liberdade, normalmente sempre dizemos que ninguém é totalmente livre uma vez que estamos sempre condicionados a algo. Esta afirmação não deixa de ter o seu “quê” de verdade, uma vez que formamos parte de uma sociedade que nos condiciona quer a nível social, político, económico e o pior de tudo é que muitas vezes acaba por nos condicionar a nível individual também.
Infelizmente chegamos a uma espécie de comércio espiritual onde a felicidade de uns depende da infelicidade de outros, onde para nos libertarmos de uma jaula acabamos por nos colocar dentro de outra. Temos que ser capazes de buscar uma forma de felicidade que não prejudique o próximo, temos que nos conseguir libertar do mundo consumista em que vivemos.
Por certo, neste momento muitos de vós estarão a pensar: “Qual será então a solução para caminhar face a uma nova Liberdade?”
O primeiro passo será sem dúvida converter o conceito de liberdade intelectual em liberdade vivencial, o que quero dizer com isto é muito simples, temos de começar a viver a liberdade verdadeiramente, ou seja, temos de deixar de pensar sobre ela e começar a vivê-la. Ao pensar sobre ela estamos a negá-la, a limitá-la. Então, a nossa responsabilidade quotidiana será começar a viver segundo a nossa vontade, mas quando falo em vontade não me refiro ao eu quero posso e mando, não, refiro-me a uma vontade superior, que, se manifestada nos fará agir em consonância com as leis da natureza.
Desculpem eu insistir sobre isto, mas creio que é fundamental, para conseguirmos viver esta liberdade perguntarmo-nos quem somos, que fazemos aqui, que opções temos, porque nascemos? Temos que compreender que não somos o nosso corpo, não somos a roupa que vestimos, nem a casa que possuímos, ou o carro que adquirimos, não somos a profissão que desempenhamos. Temos que compreender que o que possuímos não representa o que sou, compreendamos que apesar da dor, das dificuldades, das armadilhas da vida, continuamos vivendo, continuamos sentindo, continuamos sonhando.
Temos então que conquistar a dignidade, pois esta é o que nos verticaliza, é o que nos torna diferentes dos outros animais, é o que nos leva de encontro a um Mundo Novo. Na busca de uma Nova Liberdade devemos procurar então, conhecermo-nos e dignificarmo-nos assim como aos demais, pois todos temos direito a um mundo mais justo e luminoso.
Falava há pouco de ser livre, mas obedecer às leis da Natureza, então se tenho que obedecer como posso ser livre?
Peguemos num exemplo prático, o sol, há alguém que consiga tocar o sol com a mão? Ninguém… é verdade! Sem dúvida o sol obedece aos seus ciclos, ciclicamente este aparece e desaparece, segue o seu curso através dos astros, preso à sua galáxia, à sua via láctea, no entanto, não deixa de ter a sua liberdade, por um lado sujeito às leis da Natureza, mas por outro forte, intocável e irradiando luz à humanidade.
Então, queiramos ser como o sol, fortes, intocáveis e luminosos. Não nos deixemos tocar pelo medo à mudança, permitamo-nos crescer e irradiar luz. É esta a grande liberdade que vos proponho, hoje, neste dia dedicado à filosofia, uma liberdade que não se baseie em formas intelectuais, mas sim em vivências individuais e colectivas das leis da natureza.
Platão dizia:”Só a obediência nos fará livres.” Mas não a obediência a um semelhante, não a obediência a jaulas nem que estas nos pareçam de ouro, mesmo sendo de ouro são jaulas, falo da obediência à lei natural que levamos dentro de cada um de nós.
Para concluir gostaria então, não de vos dizer que opções tem o homem especificamente na vida, pois a vida de cada um é para ser construída por si só, mas sim dizer-vos que todos temos a opção de assumir esta nova liberdade, uma liberdade onde cada qual obedece à sua sã e recta consciência.

 

Obrigada Nova Acrópole por  dares a oportunidade à minha alma de se expressar livremente!
 



publicado por Psiqué às 13:51
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Domingo, 30 de Agosto de 2009
Filosofia para quê?

Agora que o inicio de uma nova etapa se avizinha, uma etapa onde estamos mais leves e rejuvenescidos, é a altura ideal para apostar em algo diferente, em algo que nos faça crescer a alma, para isso recomendo vivamente o curso de filosofia da Nova Acrópole, para os interessados, sei que já estão inscrições abertas e iniciará no final de Setembro.

Perguntar-me-iam agora: Filosofia para quê? E eu responderia…

 

PORQUE FILOSOFIA?

A vida é suficientemente complexa, para lhe introduzirmos complicações artificiais. Queremos respostas simples, mas profundas e certeiras e, já agora, interessantes e bem-humoradas. Hoje parece que ninguém sabe a maravilhosa arte de viver. Os instintos conduzem… contudo, ninguém é detentor do saber. Neste nosso momento particular, como pode ajudar a Filosofia?

A Filosofia serve para valorizar a vida e não deixar-se somente levar por ela. Serve para encontrar um respeito profundo por todos os seres vivos. Não ganharemos a vida economicamente, mas teremos ganho a sabedoria suficiente para viver e a nossa própria segurança interior será a paga. A filosofia é a grande educadora; ensina-nos a viver. Com a filosofia não vamos chegar a ser sábios, mas pelo menos teremos menos temores, menos dúvidas do que tínhamos antes; não vamos atingir a grande verdade, mas começaremos a ter algumas certezas. Quem sou, o que faço aqui, porque existo, de onde venho e para onde vou, são formas de aprender a viver, a Arte de Viver é questionar-se todos os dias. É entender porque sofremos, porque há dor, porque há alegria. E a filosofia pode ajudar-nos a encontrar as respostas. Coloca-nos no caminho do conhecimento e gradualmente dá-nos as ferramentas necessárias para construirmos o nosso caminho.

Quem necessita de Filosofia? Todos!

 

Associação Cultural Nova Acrópole de Aveiro

Curso
Filosofia e psicologia Prática

Conhece-te a ti mesmo - Um caminho estratégico para a vida
Informações e inscrições através dos tel. 234 382 081|93 178 32 34

ou do e-mail aveiro@nova-acropole.pt



publicado por Psiqué às 14:27
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Ser Herói

Hoje, divagava relendo os meus pequenos posts, sem saber sobre o que escrever, quando repentinamente senti a necessidade de escrever sobre o sentido do Herói.

O que é ser herói?

Herói é aquele que procura  virtudes que  cada vez se tornam mais ausentes no homem, virtudes tais como a  fé, a coragem, a força de vontade, a determinação, a paciência, etc, é aquele que se deixa guiar por ideais nobres e altruístas, tais como a fraternidade, a justiça, a moral, a paz, entre tantos outros, ou seja, resumidamente ser Herói é ser forte e destemido, é ter coragem de lutar contra os dragões que vivem dentro de nós, é ter coragem de despir a armadura que envergamos.

Há algumas semanas atrás, tive a oportunidade de efectuar uma actividade para crianças no âmbito da Mitologia Grega, actividade esta que a Nova Acrópole me proporcionou realizar. Resolvi contar o Mito de Hércules, pois achei ser o melhor para iniciar este ciclo que pretendo continuar num futuro próximo, achei ser o melhor precisamente para poder abordar com as crianças o tema da heroicidade e da falta de heróis hoje em dia.

Foi sem dúvida uma tarde inesquecível, pois consegui captar a atenção destas crianças, que me olhavam e ouviam com todos os sentidos despertos. Um dia, fiz esta questão a alguém que considero uma mestra: “O que fazer para incutir valores nas crianças de hoje?” e nunca mais esqueci as suas palavras, respondeu-me dizendo: “Fala-lhes como falas aos adultos!”, naquele momento as suas palavras foram “ouro sobre azul”, desde então tenho tentado chegar até elas e fazê-las ver a importância de valores que hoje começam a estar perdidos. Durante essa tarde, e com um exemplo do que é ser herói, através de Hércules, falei-lhes da importância de honrar compromissos, de assumir responsabilidades, da importância do esforço para obter bons resultados, e da coragem.

É impressionante como às vezes é mais fácil fazer com que as crianças entendam do que os próprios adultos, pois vivemos presos às desculpas de sempre, “não posso , tenho de dedicar-me ao trabalho”, ou então, “já não tenho a certeza se é este o caminho que quero seguir”, ou, “não tenho tempo para mim sequer, como posso continuar…”,  “não me sinto bem”, enfim são tudo pontos de solda que cada vez vão solidificando mais a nossa armadura. São pequenos problemas que não nos deixam ser herói, mas o mais grave de todos, eu considero ser o desistir, às vezes desistimos das coisas pensando ser o melhor a fazer, mas a meu ver, o facto de o fazermos só vai causar angústia e descontentamento. A partir do momento em que desistimos de algo, esse algo começa a entrar no esquecimento, até que acaba por desaparecer na totalidade. É por isso que eu aconselho a serem Hércules, que ultrapassou os Doze trabalhos, e no final ainda seguiu lutando em prol dos que dele necessitavam. Uma vez disseram-me que eu era uma idealista, que acreditava em utopias, idealista… sim, sou, mas aquilo em que acredito não são utopias, porque eu acredito num Mundo Novo, um Mundo que nos cabe a nós construir, então a partir do momento em que haja outros idealistas como eu, pequenos heróis como eu, então o Mundo Novo deixa de ser uma utopia, e passa a ser um ponto assente.

Tenho imensa pena por aqueles que já partilharam este ideal de vida comigo e que de certa forma se começam a desprender, precisamente pela falta de um sentido heróico na vida.

 

Pensem nisto!

 




Domingo, 31 de Maio de 2009
Reflexão

 

Saudações, meus queridos amigos!

 

Um dia destes, enquanto tentava um dia mais superar-me a mim própria fazendo algo que me deixa angustiada e de certa forma irritada, acumulavam-se na minha mente um turbilhão de pensamentos.

Porque sigo fazendo isto? Porque não ponho cobro a esta situação? A conclusão a que cheguei foi sempre a mesma, porque estas pequenas situações não passam de pequenas pedras no meu caminho, e seguir em frente caminhando e superando-me é o meu objectivo.

Quando me deixo invadir por estas dúvidas, sempre penso no que os meus queridos amigos da Nova Acrópole me ensinaram. Em tudo o que fazemos há um ensinamento a retirar; É verdade que por vezes é dificil encontrá-lo, mas não é porque não se vê que lá não está, nós é que temos que aprender a ver com os olhos da alma; Claro está que só conseguiremos quando nos conhecermos a nós próprios, e quando percebermos que somos nós quem colocamos as limitações e estas não passam, por vezes de pequenos caprichos na nossa personalidade, e eu aprendi que só quando conseguir identificar em mim própria estes caprichos eu conseguirei vivenciar esses ensinamentos que se encontram camuflados nas pequenas acções do quotidiano.

É impressionante como é um processo moroso, mas aprendi também que numa escada se sobe degrau a degrau, temos que treinar a paciência e esperar pelo momento certo.

É bom ter mestres na nossa vida, mestres que nos ajudam a seguir em frente, mestres que nos dão as ferramentas necessárias para podermos construir o nosso caminho, e eu queria agradecer áqueles que considero meus mestres o facto de velarem por mim.

Até já!

 




Domingo, 17 de Maio de 2009
Contemplando a Natureza

 

Um grito da Natureza


Um destes dias, observando e escutando o esvoaçar das folhas de um velho salgueiro atrevi-me a escutar a minha alma, nunca fiz nada semelhante anteriormente, mas talvez tenha chegado o momento de ouvir o que a Natureza tem para dizer.
Contava-me este salgueiro um exemplo de vontade!
Um nascimento… Um despertar… Um acordar para a vida! Um exemplo de coragem, um acto do coração…
Contava-me a força e persistência de uma mãe… Ai… Os mistérios que a Natureza nos reserva.
Sem que o homem desse de conta algo maravilhoso aconteceu… Uma mãe deu à luz!
Deu à luz uma graciosa poldra…
Parecia impossível aos olhos do homem! De onde surgiu?... Quando?...Como passou desapercebido este acontecimento?...
Dizia-me esse salgueiro:
“-O homem não soube ler os desígnios da Natureza. Não ouviu o sussurrar da minha voz que lhe tentava despertar os sentidos, que lhe tentava dizer: Pára… observa…ouve… abre a tua mente…”
Mas o homem seguia num emaranhado de tarefas… sem notar que algo de maravilhoso estava para acontecer.
Até que chegou o momento! E aquela pequena semente que germinava há já muito tempo no ventre de sua mãe decide dizer olá ao mundo… e o homem como sempre não queria acreditar!
Dizia-me esse salgueiro que há muito ansiava poder conversar com alguém… no entanto, tantas pessoas por ali passaram, tantas debaixo da sua frondosa copa se abrigaram do sol…
Dizia-me ele entristecido: “Muitas vezes me perguntei, seriam Homens e Mulheres? Como é possível o vínculo que um dia uniu o homem e a Natureza se ter quebrado, até as crianças deixaram de ouvir a voz da Natureza… Será que um dia vamos conseguir voltar a vincular o Homem e a Natureza?”
Bem… A graciosa poldra tem já três semanas… e todos os dias eu penso neste exemplo de vontade… uma cria que superou tantas dificuldades no ventre de sua mãe… e que hoje corre brincando e desafiando o mundo a superar a crise que se apoderou dele… Decidi chamar-lhe… Esperança!
Esta pequena mas não menos importante conversa que tive com este salgueiro, despertou-me os sentidos, e desde então tenho observado mais atenta, o mundo que me rodeia. Espero poder ouvir da parte deste meu novo amigo outras histórias semelhantes, pois precisamos de exemplos, e é com as pequenas lições da Natureza que devemos aprender.


Fiquem bem… Fiquem atentos…
 




Domingo, 10 de Maio de 2009
"É uma questão de disciplina..."

“ “É uma questão de disciplina”, dizia-me, dias depois, o Principezinho. “De manhã, quando nos levantamos, lavamo-nos e arranjamo-nos, não é? Pois lá também é preciso ir limpar e arranjar o planeta. Há que arrancar regularmente os pés dos embondeiros, mal eles se distingam dos das roseiras com os quais se confundem quando são novinhos. É um trabalho muito aborrecido mas muito fácil.”


Extraído da obra “O Principezinho” de Antoine de Saint- Éxupery


Antes de mais, quero mais uma vez agradecer à Nova Acrópole por me ter dado a oportunidade de à há algum tempo atrás conhecer e trabalhar esta maravilhosa obra que à primeira vista não passa de um livro para crianças, mas que afinal de contas é um tratado filosófico, repleto de sugestões práticas para nos melhorarmos interiormente, e de facto, esta obra é um verdadeiro breviário da esperança, é um hino à transparência e inocência do coração e ao espírito de juventude.
Hoje resolvi pegar no excerto que mencionei no início deste post e reflectir novamente sobre ele, fala-nos de disciplina, de rosas, de embondeiros… mas o que é que podemos retirar daqui?- perguntam-se vocês…
A meu ver, os embondeiros relacionam-se com os vícios e defeitos da nossa personalidade que abafam a alma, isto porque, não sei se conhecem o embondeiro, (mas ele é uma árvore enorme e bastante frondosa), ora estes enquanto sementes não oferecem qualquer perigo, mas quando a semente brota, há que ter cuidado e criar formas de a controlar para que esta ao crescer não se apodere do planeta, fazendo uma analogia entre o planeta e o homem, temos que ser cautelosos, pois assim como o Principezinho fazia a higiene diária do seu planeta, também nós necessitamos de criar formas de realizar esta higiene, necessitamos de criar formas de combater os vícios da personalidade, não podemos deixar que nos abafem a alma.
O Principezinho diz “é uma questão de disciplina…”, ou seja, devemos criar o hábito de limpar a nossa personalidade, para isso devemos estar atentos, e ver onde começam a rebentar os embondeiros, conseguir torná-los em árvores bonitas, que o são… mas quando dominadas. Não deixar no nosso jardim mais do que o necessário para que seja belo e harmónico!
“Há que arrancar regularmente os pés dos embondeiros…”, bem, penso que o essencial, é ficarmos com a ideia de que este “arrancar regularmente os pés dos embondeiros” é como que realizarmos uma limpeza interior necessária para se poder receber os nossos atributos, aquilo que há de bom em cada um de nós mas se encontra abafado por tantos rebentos de embondeiros, temos que desbastar o nosso jardim, como se faz na jardinagem, para que as flores mais bonitas de cada um possam aflorar. Para isso, temos que, primeiro identificar os embondeiros, depois afastá-los do nosso planeta, não deixando no entanto de os olhar com algum carinho, pois fazem parte de nós, devemos é ter o cuidado de os cuidar, pois quando tratados com inteligência podem ser árvores bonitas. Não nos podemos esquecer que tudo é dual.
Por hoje, não vos maço mais, se tiverem a oportunidade leiam ou releiam esta obra e meditem sobre ela, é realmente sublime.


Até sempre!
 



publicado por Psiqué às 19:55
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Domingo, 19 de Abril de 2009
Aprender com Fernão Capelo Gaivota

 

A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o importante não era comer mas voar. Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar.”

Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach

 

Saudações caros amigos!

 

Mais uma vez me faço valer desta tão rica obra, Fernão Capelo Gaivota para falar convosco, isto porque em cada parágrafo que leio e releio, vejo um manancial de conselhos para conseguir seguir em frente neste mundo de crise, nesta Nova Idade Média que teima em instalar-se no nosso mundo. Hoje decidi reflectir sobre o parágrafo acima citado. É incrível como podemos fazer uma analogia com os dias de hoje.

Hoje em dia, a maior parte de nós não passa de mais uma gaivota do bando que tenta a todo o custo sobreviver, isto não é de todo negativo desde que em paralelo façamos algo que nos alimente a alma também, e desde que para sobrevivermos não tenhamos que prejudicar o nosso semelhante. Uma das imagens desta obra que tenho guardada na memória, é a parte em que as gaivotas do bando se atacam umas às outras por causa do alimento, nos dias que correm já muitas pessoas fazem o mesmo, e fazem-no porque ainda não descobriram o verdadeiro significado da vida, porque teimam em querer enriquecer a qualquer custo. Para a maior parte das pessoas o importante não é saber viver realmente, mas sim conseguir as coisas da maneira mais fácil possível, se possível que lhes vão ter a casa, a prova disto são as milhares de pessoas que usufruem de apoios do estado por estarem sem emprego, não é errado o estado dar estes apoios, muito pelo contrário, mas é sim errado não educarem e sensibilizarem as pessoas para a importância de aprenderem algo que as possa ajudar a sair daquela situação, e é igualmente errado as pessoas submeterem-se simplesmente a isso, ao invés de lutar por uma vida melhor.

Assim como Fernão adorava voar e se esforçava para aprender novas técnicas que o aproximassem mais e mais da perfeição, também nós devemos adorar viver, mas quando falo de viver, falo de viver com letra maiúscula, ou seja, ter um verdadeiro sentido da vida, descobrir algo que nos faça crescer, descobrir um alimento subtil, um alimento para a alma, só quando descobrirmos este alimento vivermos realmente.

Para terminar em grande deixo-vos outro parágrafo desta obra, para que desta vez sejam vocês a reflectir:

 

“- Vais começar a aproximar-te do paraíso, Fernão, no momento em que atingires a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilómetros por hora, nem a um milhão, nem à velocidade da luz. É que nenhum número é um limite e a perfeição não tem limites.”

 




Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Cortesia e Conversação

“O que é capaz de conversar, alternando engenhosamente as suas intervenções com as dos demais, o que ouve os outros tanto mais do que a si mesmo, sabe colher tesouros em todos os cantos e momentos da vida.”

 

Délia Steinberg Guzmán
 

Retirei esta pequena frase de um livro que já li vezes sem conta, chama-se “A arte de Triunfar na Vida” de Délia Steinberg Guzmán, das Edições Nova Acrópole, e é um dos meus livros de mesa-de-cabeceira, precisamente porque consigo retirar dele conselhos práticos para o dia-a-dia.

 

Hoje resolvi escrever uma reflexão sobre a importância da cortesia na conversação, é que conversar é mais difícil do que parece, pois para realmente dialogar há que saber ouvir, é que uma conversa é feita no mínimo entre duas pessoas, onde ambas as partes têm momentos de silêncio (onde escuta) e de intervenção (onde expõe a sua opinião). Para tudo há que encontrar o justo meio. É necessário também saber o que dizer e quando dizer, pois a maior parte das vezes temos tendência a falar simplesmente do que gostamos e esquecemo-nos dos outros, numa conversa, devemos procurar abordar temas que vão de encontro ao que o outro espera ouvir, não tendo com isto que deixar de falar sobre as coisas que mais gostamos, não, não é isto que quero dizer, simplesmente que por vezes temos que equilibrar para não parecermos egocêntricos, há que deixar de construir monólogos e passar a construir diálogos, para tal, é necessário um locutor e um interlocutor, há que saber quando ouvir e quando falar. “O que só se ouve a si mesmo, o que só aprecia as suas próprias ideias, o que se sente atraído pelo som da sua própria voz, o que não concede importância à existência de outras pessoas e usa-as apenas como ecrã para reflectir as suas palavras, nunca poderá conversar, nunca poderá estabelecer uma salutar relação humana.”

“Ouvir é compreender os outros e a nós próprios.”

Ser cortês na conversa, é portanto saber ouvir, saber ler nos olhos da pessoa que fala o que lhe vai na alma, é poder comparar com o que pensamos e procurar um ponto comum, é saber intervir no momento certo, sem interromper bruscamente o outro, procurando o fio condutor da conversa, pois tal como um discurso escrito, também uma conversa deverá ter um principio, um meio e um fim.

 

Espero que desfrutem!

 




Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Resgate de Valores

 

Tenho meditado muito ultimamente na importância dos Valores, e vejo que cada vez mais  a necessidade de os resgatar, de os transmitir. Vivemos numa sociedade embriegada de facilitismos, o que nos impede por vezes de despertar em cada um valores adormecidos, valores tais como a Moral, cada vez mais as pessoas esquecem o significado desta palavra, e mais do que isso, esquecem que é uma forma de vida, e infelizmente, a maior parte das nossas crianças cresce sem alguém a seu lado que lhes ensine a importância da Moral, do Bem, da União, da Fraternidade...

Todos eles conceitos muito importantes, e até  é relativamente fácil saber o seu significado, mas de nada serve se não forem colocados em prática. Necessitamos então de começar este resgate de valores. É óbvio que a educação deveria ser o ponto de partida, não é fácil, mas é de facto um dos pontos fundamentais na nossa sociedade, só é de lamentar, que hoje em dia, muitos pais deleguem nas escolas a tarefa de educar os filhos, a escola é sem dúvida importante mas os pais têm um papel fundamental na transmissão de valores, até porque servem de modelo para os mais jovens.

Vamos então nós adultos redescobrir uma vida plena de valores para que possamos servir de exemplo para os mais jovens.

Não esqueçamos que somos uma peça fundamental no desenrolar da sociedade, tenhamos então um papel activo na mesma.

Li há pouco tempo um livro das Edições Nova Acrópole chamado Valores Eternos, é muito bom, aconselho vivamente a sua leitura.

 



publicado por Psiqué às 10:13
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Uma vivência da Alma

Boa noite a todos!
Durante algum tempo, foi para mim extremamente difícil definir algo para vos dar. Talvez porque eu própria me encontrava no meio de um turbilhão de ideias sem uma completamente definida, mas agora chegou o momento. Falo-vos de uma experiência pessoal que tive a oportunidade de viver.
Creio que já vos falei que frequento um curso de Filosofia na Nova Acrópole há já alguns anos, pois a experiência que vos quero contar passou-se na Nova Acrópole. Tal como outros “estudantes “ da Nova Acrópole, fui convidada a participar nuns “Sketches” teatrais, que seriam apresentados ao público aquando de uma apresentação do curso de Filosofia “Sabedoria Viva das Antigas Civilizações”, curso que recomendo vivamente. Nestas pequenas representações, teríamos que encarnar um antigo filósofo e expor a sua vida, obra e ideal. Aceitei porque gosto de representar, também porque teria a oportunidade de conhecer um pouco melhor estes filósofos, mas acima de tudo pelo facto de me terem dado a oportunidade de dar algo, de colaborar, de por em prática uma máxima de Jorge Angel Livraga que tenho sempre presente na mente e no coração: “Quanto mais damos mais temos, quanto mais amamos mais nos amam, isto é assim.” Falo muitas vezes deste filósofo, talvez porque o tenha como herói, ou talvez como exemplo de vida, não sei, só sei que desde que conheci a sua obra, sinto uma necessidade de seguir o seu ideal. Quem não quer construir um mundo melhor?
Bem, mas agora falo dele, simplesmente porque falei da importância de dar, mas dar do fundo do coração, sem esperar algo em troca, entregar-nos de corpo e alma ao ideal, tal como dizia Séneca, “A recompensa de uma boa acção é tê-la realizado”. E eu, senti-me realizada naquele dia, senti que de alguma maneira contribui para a construção de um mundo melhor, senti que com o meu discurso não estava só a dar a conhecer a obra de um simples filósofo, mas que estava a aprender com ele. O facto de termos saído à rua para fazermos a nossa apresentação, fez-me pensar que afinal de contas a Nova Acrópole e a sua Filosofia não se cingem a uma casa, a um local onde dão os seus cursos e conferências, percebi que a Nova Acrópole é o aqui e o agora, independentemente do local onde se encontra, é impressionante como me apercebi de tudo isto no meio do meu discurso, debaixo de um manto azul celeste, no meio de uma simples praça, sem grandes condições de acústica ou de conforto. Provavelmente, porque senti que não estava sozinha, senti que o ideal estava em mim. Foi uma experiência gratificante para a alma.
Deixo-vos com a conclusão do meu discurso dessa noite.
“A virtude é um meio e não um fim. É uma atitude e uma vivência consciente da Alma. A nossa vida deve, pois, referir-se, sob uma constante luta, contra a escravidão da alma pela personalidade. Esta luta deve ser orientada pela razão, mas, quando refiro razão, menciono aquela que é quase um discernimento inteligente, uma razão consciente, uma razão vinda de dentro.
E para finalizar vos deixo um humilde conselho:
“ Tornem-se todos, primeiro, divinos; tornam-se todos belos se pretenderem contemplar Deus e a Beleza. “
Perguntar-me-iam agora, como fazê-lo? E eu responderia:
“Expulsa de ti tudo o que é supérfluo, endireita o que está torcido, faz com que o tenebroso resulte por purificação, esplendoroso, e não deixes de lavrar a tua própria estátua até que resplandeça em ti o brilho divino da virtude, até que vejas a temperança assente em trono sagrado”.”
 




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